

DEPRESSÃO
As depressões
A depressão é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o "Mal do Século". Estima-se que uma em cada cinco pessoas no mundo apresentam problemas relacionados a depressão em algum momento da vida.
Apesar da depressão poder se desenvolver em uma doença séria e incapacitante nos casos mais severos, ela é frequentemente um estado de humor passageiro inerente à condição humana na sua tarefa de viver, sendo um fenômeno universal que se relaciona estreitamente com o processo de luto, com a capacidade de sentir culpa e com a conquista de integridade de ego.
Pode ser reconhecida, portanto, como encerrando um valor positivo em si mesma, ao denotar aspectos saudáveis do indivíduo e se relacionar à possibilidade de reestruturação interna no enfrentamento de experiências imbuídas de sofrimento, tão freqüentes no decorrer desta difícil tarefa que é a vida.
As depressões se expressam em quadros clínicos de diferentes matizes e gravidades, que se diferenciam em função dos diversos arranjos entre os elementos internos bons e maus decorrentes de como o indivíduo se desenvolveu até o momento.
Naquilo que podemos chamar de “extremidade normal da depressão”, estão as manifestações que implicam maturidade psíquica e um grau razoável de integração do self, e normalmente o indivíduo é capaz de tolerar a carga da doença depressiva e ir em direção à cura contando apenas com a existência de um bom suporte ambiental.
O processo de luto é um exemplo que ilustra bem esse padrão depressivo, com a diferença de que na depressão há um recalcamento maior do que no luto normal, efetuando-se num nível mais inconsciente do que no luto. Esse tipo de depressão foi denominado por Winnicott como depressão reativa simples, e associa-se a este tipo reativo fases da vida como a menopausa, por exemplo, e outros tipos de redução da oportunidade de construção e contribuição criativas (como por exemplo a chegada da velhice ou a aposentadoria).
Portanto, a depressão reativa simples se refere a um processo depressivo considerado até certo ponto saudável, que tende a se normalizar num período de tempo relativamente pequeno.
O esperado nesses casos é que o indivíduo consiga desfazer a “névoa depressiva” de forma satisfatória com seus próprios recursos, mas quando isso não acontece, torna-se necessário buscar ajuda profissional, já que quando complexa a depressão pode ser uma doença incapacitante e que impacta em diversos âmbitos da vida: pessoal, profissional, intelectual e até na saúde física.
Está presente na literatura médica e científica mundial que a depressão incita alterações fisiológicas no corpo, sendo porta de entrada para outras doenças. Pessoas que sofrem de depressão podem, além da sensação de infelicidade crônica e prostração, apresentar baixas no sistema de imunidade e maiores episódios de problemas inflamatórios e infecciosos.
Além disso, há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição.
O diagnóstico da depressão é clínico e realizado por profissionais da área (psicólogos ou psiquiatras), e o tratamento é feito com auxílio profissional, por meio de acompanhamento terapêutico e , conforme o caso., prescrição de medicamentos. O apoio da família é fundamental.
Sintomas da Depressão
Os principais sintomas são: tristeza, pessimismo, desânimo, perda de motivação, ausência de prazer em coisas que antes faziam bem, baixa auto-estima , que aparecem com freqüência e podem combinar-se entre si.
A depressão pode provocar ainda: aumento da dependência, sentimentos de culpa, vergonha, dificuldade de concentração e memória, passividade, dificuldade nos vínculos sociais, distúrbios sexuais, do sono e do apetite, grande oscilação de humor e pensamentos, que podem culminar em comportamentos e atos auto-destrutivos e até suicidas.
Como diferenciar tristeza de depressão?
Essa é uma importante pergunta. É importante entender que nem toda tristeza é depressão. A tristeza é um sentimento humano como tantos outros, e normalmente tem um motivo de ser. A pessoa sabe que está triste e porque está triste, e dependendo do caso pode sentir uma enorme tristeza como reação a algum evento muito difícil, como a morte de um ente querido, a descoberta de uma doença, etc. Já a depressão é uma tristeza profunda e muitas vezes sem conteúdo, sem motivo aparente. Mesmo se algo maravilhoso acontecer ou estiver acontecendo, a pessoa deprimida terá dificuldade em se alegrar.
A tristeza tende a ser mais passageira e se alternar com outros sentimentos. A pessoa triste normalmente consegue continuar realizando atividades da vida. Já a depressão tende a ser mais duradoura e reduz a amplitude de sentimentos da pessoa. O sentimento ruim acompanha a pessoa grande parte do tempo e afeta vários aspectos da vida: saúde, trabalho, relacionamentos, família e vida social. Em casos mais sérios, pessoas com depressão podem até ter pensamentos suicididas.
Em todo caso, ainda que se esteja falando de sintomas mais leves da depressão, é importante que a pessoa deprimida receba apoio familiar e algum tipo de ajuda profissional, como a psicoterapia, para diminuir o sofrimento e evitar que a depressão se agrave.
Há como prevenir a depressão?
O humor depremido reativo faz parte do viver, e não tem como evitá-lo. No entanto, é sabido que cuidando da mente e do corpo, com alimentação saudável e prática de atividades físicas regulares, assim como saber administrar o estresse e compartilhar os problemas com amigos ou familiares auxiliam bastante a passar de uma forma melhor pelo humor deprimido.
Segundo estudos científicos, atividades físicas impactam positivamente na saúde mental, já que liberam hormônios e outras substâncias importantes para manutenção do humor e do bem estar. Além disso, ajudam na sensação de bem estar: leitura, aprender coisas novas, ter hobbies, viajar e se divertir.
