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Psicopatologias

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Sintomas como linguagem 

Para a maioria das pessoas, falar em sintoma pode ser o mesmo que falar em doença, uma associação corriqueira herdada do campo médico. Podemos supor então, que, se resolvemos o sintoma, curamos a doença, correto? A resposta para esta questão é muito mais complexa do que pode aparentar, especialmente quando falamos em sintomas psicológicos ou psicossomáticos.

 

Nosso corpo comunica, física e psiquicamente falando. Desde que nascemos recebemos os estímulos que aparecem em nosso corpo e  mente, desde um leve incomodo na região da barriga que prenuncia o fato de estarmos com fome até um terrível desânimo geral, acompanhado de fraqueza física e sentimentos de tristeza e angústia que nos remete a um estado depressivo. Em ambos os casos, independente de sua proporção, trata-se da comunicação de partes do corpo e da psique com a parte consciente. A esses estímulos físicos e psíquicos que geram angústia nomeamos sintomas. Esses sintomas chegam como um aviso, uma sirene no psicossoma do indivíduo, dizendo que algo está errado.


Freud, considerado o pai da Psicanálise, foi o primeiro a tratar o sintoma enquanto linguagem ao longo de sua obra, quando percebeu que  os sintomas são resultado de um conflito psíquico inconsciente. Esse conflito seria a "luta" de duas forças, sendo o sintoma uma forma delas se reconciliarem através de uma espécie de "acordo". Este conceito surge para Freud através das pacientes histéricas que convertiam no corpo suas dores psíquicas que não vinham à consciência, e que traziam fatos de suas histórias de sexualidade. O susto ou afeto de uma situação traumática fica cravada no inconsciente, e assim como nos sonhos e atos falhos, esse material pode vir à tona através de um sintoma.

 

Sintomas são então expressões físicas e/ou psíquicas de atividades inconscientes, no geral desagradáveis, que  causam alguma ou grande dose de sofrimento para o indivíduo.  Para a psicanálise, todo sintoma  tem valor de linguagem e aparece para exprimir o que o indivíduo ainda não pode dizer em palavras. Sendo assim, os sintomas são, numa certa medida, como os sonhos: enigmas que traduzem a dinâmica do psiquismo.

Desvendar o sentido do sintoma e a sua origem, adentrar esse universo inconsciente e tentar trazer à luz  elementos importantes com o intuito de chegar a uma melhora ou cura de determinada situação é o objetivo das terapias de base psicanalítica. Quanto mais refinamos nosso  conhecimento de nós mesmos, mais facilmente podemos compreender os sintomas e seus mecanismos, e assim descobrirmos formas mais saudáveis de nos organizarmos psiquicamente. Entender um pouco melhor sobre nossas dores, desejos e sentimentos é o objetivo da psicoterapia psicodinâmica, que visa, dentre outras coisas, aproximar o indivíduo de si mesmo.

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Maíra  Golovaty. Lederman  

  psicóloga  clínica 

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