
Psicoterapia no Pós-Parto
Puerpério

Puerpério: O que é?
A espera de um filho costuma ser um dos momentos de maior alegria e empolgação na vida de uma mulher. A gravidez é considerada um período crítico de transição, biologicamente programado, capaz de produzir um estado temporário de instabilidade emocional em virtude das mudanças físicas e psíquicas sofridas neste período, além de transformações no papel social e das adaptações interpessoais que a mulher precisa fazer. Esse período se estende também ao período imediatamente após o parto, também chamado de puerpério.
O puerpério é considerado o intervalo de tempo que se inicia com o nascimento do bebê e se estende até o 45° dia após o parto. É um período de adaptação à realidade imposta por um conjunto de novas transformações na rotina e no relacionamento familiar, além da série de mudanças fisiológicas e anatômicas que seguem ocorrendo no corpo da mulher e que geram alterações transitórias do humor.
No puerpério ocorre um deslocamento de foco da gestante para o bebê. A puérpera precisa atender às necessidades de um recém-nascido, adequando-se a uma nova rotina de sono e de amamentação quando é o caso. A experiência com o bebê real, e não mais idealizado, é geralmente muito diferente do que se imaginou. As próprias necessidades frequentemente tem de ser adiadas em razão das demandas do bebê O cansaço extremo, a insegurança, o isolamento dos primeiros dias, possíveis dificuldades no processo de aleitamento e, principalmente, as oscilações hormonais podem suscitar na mãe sentimentos ambivalentes e contraditórios. Todos os cuidados se voltam para o recém nascido , e no entanto, a mãe ainda precisa de cuidado e amparo.
O fato de existir uma expectativa social de que o momento da gravidez e do pós-parto seja marcado apenas por sentimentos de felicidade e excitação pode fazer com que muitas mulheres sintam culpa e evitem expressar esses sentimentos considerados negativos, como tristeza, frustração ou raiva, o que pode agravar a situação.
Desta forma, o período pós-parto constitui também (para além da gravidez) uma fase potencialmente vulnerável para a saúde psicológica da mãe. Cada mulher vivencia esse período de uma forma. Algumas tendem a ficar mais cansadas, deprimidas e irritadas, o que é considerado normal durante os primeiros dias após o parto, e recebe o nome de "Baby blues".*
Baby Blues
Sobre o termo 'Baby Blues': A partir da década de 90, essa conhecida "tristeza" que as mulheres costumam apresentar no período pós parto passou a ser popularmente conhecida como Baby Blues, numa alusão à uma história em quadrinhos com o mesmo nome criada por Rick Kirkman e Scott Jerry, que mostra a vida da família MacPherson e, especificamente, a criação dos três filhos.
Wanda MacPherson, a mãe da história, é uma das personagens mais complexas e autênticas da série de quadrinhos. Ela escolheu ser dona de casa após o nascimento de seus filhos. Porém, frequentemente ela se sente frustrada com essa escolha e com a vida de mãe e passa a invejar outras mulheres que considera melhores mães do que ela. Além disso, Wanda às vezes vê seus filhos como um estorvo, mesmo que os ame. O quadrinho é hilário e traz à tona questões como as dificuldades da maternidade real e a ambivalência (existência simultânea, e com a mesma intensidade, de dois sentimentos e que se opõem mutuamente, como amor e ódio) que está sempre presente na relação de mães e filhos, tema este considerado tabu até os dias de hoje
Características do "Baby Blues":
O fenômeno que ficou conhecido com o nome "baby blues" é caracterizado por um conjunto de sentimentos que a mulher experiencia no período logo após o parto, e que afeta aproximadamente 80% das mulheres durante o período do puerpério. Via de regra, ele aparece na semana seguinte ao parto e dura por volta de 15 dias, podendo se estender um pouco mais. Geralmente desaparece espontaneamente, sem a necessidade de atenção médica ou tratamento de qualquer tipo.
O baby Blues é multifatorial e seus sintomas podem, num primeiro momento, ser confundidos com a depressão pós parto. Algumas de suas manifestações mais comuns são:
-
alterações de humor,
-
irritabilidade,
-
vontade frequente de chorar,
-
angústia e a
-
sensação de tristeza contínua.
No entanto, estes costumam ser sentimentos transitórios e insuficientes para causar prejuízo à mulher ou ao vínculo com o bebê. Não há uma única razão para o aparecimento do Baby Blues, e sim alguns fatores de correlação, sendo os mais significativos:
-
Dor e desconforto desconforto causado pelo parto .
-
Alterações hormonais destinadas a promover a lactação.
-
Transformação radical da vida.
-
Perda da rotina
-
Cansaço extremo e sentimento de estar sobrecarregada.
Por isso é importante nesse período que a mulher puérpera receba ajuda nesse momento tão delicado, do parceiro , família ou amigos, assim como que possa contar com uma rede de apoio com relação aos cuidados da casa e do recém nascido. Expressar os sentimentos e sentir-se ouvido e compreendido é também muito importante. Embora o Baby Blues seja um fenômeno muito frequente, seu prolongamento no tempo merece algum tipo de intervenção profissional, para que não progrida para um quadro de depressão pós parto.
Depressão Pós Parto (DPP)
A depressão pós-parto é considerada um distúrbio psiquiátrico, que aparece após a gestação e pode surgir até o primeiro ano de vida do bebê. Os sintomas da depressão pós-parto são parecidos como os de qualquer quadro depressivo, a diferença é que este distúrbio também envolve necessariamente o vínculo com o recém nascido, onde existe falta de vontade de cuidar do bebê , ou o seu contrário, excesso de proteção do bebê e afastamento de outros possíveis cuidadores.
Raramente, a situação pode se complicar e evoluir para uma forma mais grave, conhecida como psicose pós-parto.
Estima-se que entre 20% a 25% das mulheres desenvolvem depressão pós-parto. As causas da depressão pós-parto são multifatoriais, e envolvem fatores físicos, emocionais, estilo e qualidade de vida, além do histórico de doenças e/ou transtornos mentais e também as alterações hormonais, comuns no puerpério. Os principais são:
-
Quadros depressivos antes ou durante a gravidez;
-
Histórico de depressão (inclusive pós-parto) na família;
-
Estar passando por situação de estresse
-
Ter outros transtornos mentais;
-
Gravidez indesejada;
-
Contexto social desfavorável;
-
Falta de rede de apoio;
-
Privação de sono;
-
Isolamento;
-
Ter desenvolvido 'baby blues' logo após o parto.
Qual a diferença entre depressão pós-parto e baby blues?
A grande diferença da depressão pós-parto para o baby blues é o tempo e a intensidade. Como descrito, o baby blues configura um momento temporário de maior sensibilidade, fragilidade, cansaço, e que desaparece espontaneamente após um período de poucas semanas, e não traz prejuízos significativos à mulher e aos cuidados com o recém nascido.
Já na Depressão Pós Parto os sintomas depressivos apresentam um aumento de intensidade e de duração, de forma a prejudicar inclusive o vínculo da mãe com o bebê, que pode desenvolver pelo mesmo rejeição ou desinteresse, ou o contrário, um excesso de proteção.
